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Diversidade e Inclusão no mercado jurídico e a importância do Dia Internacional do Orgulho LGBTI+

29.06.2023 4 minutos de leitura

De acordo com o estudo “Assumido, com orgulho” feito pelo LinkedIn, com mais de mil profissionais de todas as regiões do Brasil em junho de 2019, metade (50%) dos entrevistados LGBTI+ diz já ter assumido totalmente a colegas de trabalho sua orientação ou identidade de gênero, por outro lado, um em cada quatro (25%) nunca contou a ninguém, e o medo de sofrer represália é o motivo admitido por 22% deles.

Nesta edição do Papo Com, seção da nossa newsletter trimestral BMA Plural, convidamos Luiza Romanó Pedroso, nossa advogada da área de Solução de Conflitos e mulher lésbica, para um bate-papo sobre a jornada por maior Diversidade e Inclusão no mercado jurídico e a importância do Dia Internacional do Orgulho LGBTI+.

1. Quais ainda são os principais desafios da população LGBTI+ no dia a dia dos escritórios, no relacionamento com os clientes etc?

Escritórios e empresas não existem no vácuo. Eles são formados por pessoas que pertencem a uma sociedade que histórica e estruturalmente reproduz LGBTfobia. E ninguém se autodeclara LGBTfóbico na entrevista. O grande desafio da população LGBT+ nesses ambientes é navegar águas quase sempre incertas: quando um sócio ou cliente pergunta “o que seu marido faz?” e eu tenho que responder “minha esposa trabalha com análise de dados”, é inevitável que essa resposta seja acompanhada da ansiedade de quem está “saindo do armário” mais uma vez para alguém cujos vieses e preconcepções são totalmente desconhecidos. 

2. Quão importante você considera falar sobre sua orientação sexual no ambiente de trabalho?

Minha resposta tem duas facetas: uma individual, outra coletiva. De uma perspectiva individual, foi absolutamente transformador me entender e me assumir como lésbica no trabalho. Pelos corredores do BMA, ainda há testemunhas de que, antes de “sair do armário”, eu era retraída, desconfortável. Eu me considero prova viva do poder transformado de calçar os próprios sapatos e vestir a própria pele no trabalho com segurança e orgulho. De uma perspectiva coletiva, a escolha de ser vocal sobre nossa sexualidade no trabalho faz com que os frutos das nossas vitórias não se encerrem em nós mesmos. Cada conquista nos deixa mais próximos de um lugar para o qual pessoas LGBT+ mais jovens poderão olhar no futuro e pensar “é seguro; é possível; eu também consigo”. E não existe incentivo maior do que esse. 

3. Como identificar aliados no dia a dia e como eles podem atuar contra a LGBTFobia?

Ninguém tem “aliado” escrito na testa (e nem LGBTfóbico, infelizmente rs). Por isso, entendo que os escritórios devem exercer o papel importantíssimo de criar, fortalecer e engajar uma rede de aliados apta a (i) implementar uma cultura favorável à diversidade no escritório; (ii) enxergar a importância de dar voz e suporte aos colaboradores LGBT+; e (iii) coibir episódios de LGBTfobia que eventualmente possam ocorrer.

4. Qual é a importância do Dia Internacional do Orgulho LGBTI+?

A figura do orgulho não existe à toa. As pessoas LGBTI+ batalharam e batalham para sentir orgulho de quem são a despeito de histórica e estruturalmente elas terem sido oprimidas na escola, na faculdade, na família, no trabalho. O orgulho é fruto de luta – uma luta que é coletiva, é individual, e, sobretudo, é contínua. O Dia Internacional do Orgulho LGBTI+ é, ao mesmo tempo, uma celebração dos frutos dessa luta e um lembrete de que ela ainda não acabou.

5. Aproveitando a data, que mensagem gostaria de deixar para jovens profissionais do direito que fazem parte da comunidade? E para escritórios / departamentos jurídicos que estão em busca de maior Diversidade e Inclusão?

Ninguém tem a obrigação de se assumir – até porque, além de não ser fácil, poder “sair do armário” é, em grande medida, uma questão de privilégio. Por isso, minha mensagem se divide em três. Para os jovens LGBT+ que ainda não deram esse passo: calma – nosso mercado está mudando rapidamente e, se ele ainda não oferece o conforto de que precisam, estamos lutando para que ele não demore a oferecer. Para os jovens LGBT+ que já deram: que, juntos, nos apressemos a construir esse mercado – e logo. E, para os escritórios e departamentos jurídicos que nos abrigam: semeiem solo fértil, e vocês colherão talentos.