BMA Plural | Inspiração tem nome: Glória Maria
Como não nos inspirarmos em Glória Maria Matta da Silva? A filha de alfaiate e dona de casa, nascida e criada no subúrbio do Rio de Janeiro, foi e ainda é muito mais que uma grande personalidade da televisão brasileira.
Nesta edição do BMA Plural, nossa newsletter sobre diversidade e inclusão, preparamos uma nova seção "Pessoas que inspiram", com o objetivo de homenagear, e também trazer uma reflexão, sobre essa mulher que inspirou e empoderou muitas outras.
Glória era mulher, preta, mãe, jornalista, apresentadora, repórter, profissional competente e independente – classificações que, até um passado não muito distante, não costumavam ser atribuídas a uma mesma mulher.
Além de tudo isso, mas não menos importante, Glória representava e sinalizava às pessoas pretas e pardas que podiam, mereciam e deviam, sim, estar nos lugares de poder. Com sua brilhante trajetória, alimentou a esperança de meninas e meninos nas comunidades, apesar dos preconceitos e do racismo estrutural vigentes em nosso país.
Apesar de ter ostentado uma postura mais discreta quanto à temática do racismo no seu trabalho e em situações públicas, Glória não silenciou ao combater este comportamento. Entre muitas outras situações em que se posicionou sobre o tema, Gloria foi, por exemplo, a primeira pessoa a utilizar a Lei Afonso Arinos no Brasil , em 1988, ao ser impedida por um gerente de entrar em um hotel no Rio de Janeiro por ser uma mulher preta.
Mais que homenagem, Glória Maria merece que sejamos tão resilientes quanto ela e que, como pessoas negras que ocupam espaços de poder, ou como aliados antirracistas nesses espaços, façamos o seguinte questionamento: “qual é a nossa colaboração para a permanência de pessoas pretas nos espaços que ocupamos e como podemos mitigar ainda mais a existência do racismo no cotidiano em que estamos inseridos?”.
E para fechar nossa reflexão neste momento, nada melhor que uma frase da própria Glória:
“Nada blinda o preto do racismo, ainda mais a mulher preta. O homem preto não quer a mulher preta. Você precisa aprender a se blindar da dor. Se você for esperar o ‘blindamento’ universal, estará perdida. Você tem que fazer com que a vida te faça aprender a se blindar.”
Glória Maria
*Autores: André Henrique Ferreira Andrade, também Propagador da Diversidade e Benjamin Guilherme Dos Reis Nazareth.